Hoje o blog Opinião Futebol Clube terá a honra de entrevistar uma pessoa mais que especial. Ele é narrador do canal SporTV e um espelho para todos que querem seguir nesta profissão. Estou falando do mestre Jota Júnior! Antes de tudo, muito obrigado por esta entrevista, é uma felicidade enorme para mim. Vamos lá!
Jonathan: O que te motivou a começar no jornalismo?
- Creio que a atração desde pequeno por rádio e por esporte, especialmente o futebol. Fui despertado bem cedo para o mundo da comunicação, porém não sei explicar o "porquê" dessa atração. Pintou naturalmente.
Jonathan: E onde foi que isso tudo começou?
- Eu morava em Americana e na minha casa o rádio era meu grande companheiro. Nos jornais buscava sempre as páginas de esportes. Na época a televisão não dedicava grandes espaços para o esporte, mas o pouco que tinha me chamava a atenção.
Jonathan: Qual foi a sua narração mais emocionante?
- Como estou há muito tempo na estrada, várias foram as narrações que me marcaram intimamente. Mas eu destacaria a decisão do terceiro lugar na Copa do Mundo de 1978, na Argentina, entre Brasil x Itália. Fiz a narração pela Rádio Gazeta de São Paulo.
- É realmente uma rotina de trabalho. No início é fascinante, mas depois acaba se tornando um roteiro natural de viagens. Não me lembro de um lugar inusitado, interessante, que pudesse destacar.
- Acho que o jornalismo esportivo de antes era mais sério, mais compromissado com a imparcialidade e a ética de informação. Hoje é mais liberal, permitem-se piadas, provocações, incitações, algo que não comungo principalmente pelo momento de violência social/urbana que estamos vivendo. Os efeitos são muito perigosos.
Jonathan: A Copa do Mundo está chegando.. qual a sua expectativa para esse evento tão importante? Em quais países você aposta suas fichas para a conquista do título?
- Copa do Mundo tem um charme especialíssimo. Tem história. Ela magnetiza o mundo da bola. Minha expectativa é excelente, acho que faremos um bom Mundial. Os favoritos são sempre as seleções "grandes", como Brasil, Itália, Alemanha, Argentina, Espanha.
Jonathan: Nosso país está recebendo diversos eventos esportivos. Já tivemos os jogos Pan-Americanos, a Copa das Confederações e em breve teremos Copa do Mundo e Olimpíadas. O que você pensa sobre esses eventos e os possíveis legados que irão deixar para nós, cidadãos?
- O tempo foi passando e o Brasil não poderia ficar fora desses grandes eventos como sediador. Somos hoje um País emergente, de economia respeitada no Planeta ( embora internamente tenhamos sérios problemas éticos, políticos ) e esses eventos pintariam para nós. Quanto à herança desses investimentos para o País, ela deveria ser mais rica, substanciosa, mas sempre haverá um saldo positivo.
Jonathan: Há uma diferença enorme entre o investimento dado para o futebol, e o dado em outros esportes. Devido aos Jogos Olímpicos de 2016, acredita que o investimento será maior em diversas modalidades? E você acha que o Brasil terá um bom desempenho nas Olimpíadas?
- Os esportes, afora o futebol, hoje dependem exclusivamente dos patrocínios empresariais privados, quando deveriam ter um grande incentivo governamental. Em países desenvolvidos a parcela destinada à formação de atletas de alto nível é significativa e no Brasil ainda estamos em débito nesse quesito. A política de forjar atletas, campeões, em nosso País ainda é tímida demais. Quanto ao desempenho nas Olimpíadas de 2016 creio que teremos exito naquelas modalidades conhecidas, as que recebem apoio de empresas privadas, e nada mais.
Jonathan: Uma coisa que eu sinto falta no futebol são os personagens, aqueles jogadores irreverentes, sem papas na língua. O que vejo agora são entrevistas bem previsíveis, onde os jogadores dão respostas "robotizadas". Na sua opinião, essas respostas prontas, dificultam a vida dos jornalistas, limitando as suas perguntas? O futebol está mais sério?
- Jogadores irreverentes, sem papas na língua, sempre existiram mas em número reduzido. Nos tempos de Pelé também era assim. Poucos naquele tempo falavam o que realmente sentiam. E hoje é a mesma coisa. Hoje há também um policiamento maior para que os atletas não extrapolem, até pela preocupação dos efeitos das provocações, traduzidos na violência urbana que nos assola.
Jonathan: Já conhecemos o campeão brasileiro de 2013. Na verdade, sabíamos que o Cruzeiro conquistaria esse campeonato, mas a confirmação veio contra o Vitória, faltando 5 rodadas para o final do Brasileirão. Aí entra aquela velha discussão e eu te pergunto: O que você prefere? Pontos corridos ou mata-mata?
- Particularmente não me importo com o modelo dos campeonatos. Acho que se as equipes oferecerem bons espetáculos, nesse ou naquele modelo, o torcedor ficará satisfeito. Não é porque o Cruzeiro se sagrou campeão antecipadamente que o Brasileiro perdeu a graça, pois ainda temos briga boa por vagas na Libertadores e na parte de baixo da tabela para não cair. Qualquer modelo é bom desde que os times ofereçam jogos de boa qualidade.
Jonathan: Em dezembro teremos, muito provavelmente, Atlético-MG x Bayern de Munique. Qual a sua expectativa para esse grande jogo?
- Entendo como um jogo equilibrado. O Galo fez um 2013 fantástico e tem uma equipe muito forte, com plenas condições de igualar forças diante do Bayern, e até de vencer.
Jonathan: E para você, quem leva o troféu de melhor jogador do mundo? Acho que esse ano será do português, concorda?
- Está mais para Cristiano Ronaldo.
Jonathan: Muito obrigado pela entrevista, Jota! É uma honra muito grande poder publicar essa entrevista com um mestre que serve de exemplo para muitos que querem seguir neste ramo. Muitas felicidades, tudo de bom pra você e continue nos emocionando com suas grandes narrações. Forte abraço e, novamente, muito obrigado!
- Foi um prazer poder responder às perguntas, Jonathan. Obrigado e sucesso para o seu site/blog.















